
Um romance eterno morno. Que não nos aquece nem arrefece. Uma narrativa pouco densa, com personagens pouco carismáticas. E o facto de toda a história nos ser contada através de cartas, contribui para que nos afastemos da mesma, sem conseguir criar qualquer tipo de relação, pelo menos, com a protagonista. Porque Judy Abbot, uma órfã do Lar John Grier, tem sempre histórias para contar, estando toda a sua vida envolta em peripécias e acontecimentos dignos de serem registados.
A verdade é que é permitido a Judy que entre num dos mais prestigiados colégios, o Lincoln Memorial High School, através do potencial que demonstrou ter para a escrita. Um dos benfeitores do Lar John Grier vê nela uma possível escritora e compromete-se a pagar os seus estudos, com uma contrapartida. Judy deverá escrever cartas a cada mês, relatando todas as suas experiências, sem expectativa de serem respondidas.
Até à última página, que culmina com o término dos seus estudos, Judy viu apenas uma sombra deste benfeitor; sombra essa que lhe revela umas longas pernas e, por isso, passa a ser tratado por “Papá das Pernas Altas”. E mesmo sem nunca lhe dar uma resposta, é nele que Judy encontra uma figura familiar, que nunca teve. É a ele que lhe confiará as maiores aventuras com as suas amigas. E é através desta correspondência que nos é permitido acompanhar o crescimento de Judy, mas sempre de forma muito lenta e desprovida de emoção.