
Um murro no estômago em plena adolescência. Um choque de realidade que nos permite refletir sobre uma das épocas mais horrendas da humanidade. E não creio que haja melhor altura para ler este livro do que na adolescência. Com as emoções à flor da pele, tudo é vivido com outra intensidade e este pode ser o livro que nos começa a abrir os olhos para a vida real.
O Holocausto foi uma das piores épocas da história da humanidade. Que nos mostrou que o ódio e a barbárie não têm limites. E ler o Diário de Anne Frank é embarcar numa viagem angustiante e revoltante. Porque ela era apenas uma menina, com sonhos por realizar. Uma menina igual a tantas outras. Uma menina que viu a sua vida interrompida. A quem lhe foi roubado o conforto do seu quarto para poder lidar, com o seu tempo, com as incertezas e frustrações próprias da sua idade.
É um sofrimento folhear as páginas, para descobrir como era a rotina diária de Anne, dos seus pais e de todos os outros que o Anexo acolheu. Mas, ao mesmo tempo, é incrível perceber como encontravam sempre uma réstia de esperança depois de mais um bombardeamento. Anne não teve um final feliz, mas poucos foram os que tiveram essa sorte.