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Review | Amor em Minúsculas

O plano era ter terminado as últimas 20 páginas ainda em 2021. Mas os preparativos para a entrada num novo ano, dificultaram o fim desta leitura. O que não causou grande transtorno. Porque é um livro que merece ser lido sem pressa. E apesar de não ter uma narrativa extraordinária, é um livro que nos aquece o coração.

Um romance que nos conta a história de Samuel, um homem solitário que ao acordar no dia 1 de janeiro, acredita que será mais um ano sem emoção, com muitos verbos no passivo e poucos momentos que o façam sentir-se vivo. Até que vê os seus pensamentos interrompidos por um visitante inesperado que se apodera da sua casa e se recusa a sair.

Mishima é o gato intrometido que acaba por se tornar a força motora que Samuel precisava para abandonar a comodidade dos seus clássicos literários, dos seus filmes estrangeiros e da sua música clássica e conhecer a vida que está a acontecer mesmo à sua frente. A verdade é que “... não importa o que somos, mas o que fazemos com o que somos. Dá no mesmo viver 650 000 horas ou seis horas e meia. As horas não servem para nada se não se souber o que fazer com elas.”

Uma narrativa doce que nos recorda que a felicidade está nas pequenas coisas da vida. E que nos mostra a definição perfeita do amor em minúsculas, “uma pessoa faz um pequeno ato de bondade e isso desencadeia uma sequência de acontecimentos que lhe devolvem um amor multiplicado. No final, embora se queira voltar ao ponto de partida, já não é possível. Porque o amor em minúsculas apagou qualquer caminho de volta ao que antes existia.”

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