
Nem sempre as experiências literárias que prometem ser profundas nos tocam no mesmo nível. Para mim, este argumento foi demasiado pesado, quase depressivo. Há uma descrença na religião, uma necessidade de seguir alguém cegamente, um desejo permanente de vingança e um estado de solidão do qual não se quer sair. Às páginas tantas, sentimos que estamos a caminhar para o fundo do poço.
É um argumento explorado sob a forma de pequenas histórias sobre pessoas que precisam de ajuda - uma forma de justiça que não se adivinha ser divina, mas que chega sob a forma de um frasquinho de veneno indetetável fornecido por uma pessoa solitária que sente um profundo desprezo pela Humanidade. Todas estas histórias que nos chegam, são de pessoas que se vão cruzando na vida de Mariana e, por ser ela quem as salva e elimina o mal do mundo, acaba por juntar uma legião de crentes que a seguem, como se de uma profeta se tratasse. E é aqui que tudo fica ainda mais sombrio, porque apesar das pessoas más estarem a desaparecer, o mal permanece e, no fim, não há justiça. Nem mesmo divina.
Book | A Profeta