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Review | A Mulher à Janela

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Ao começar a ler as primeiras páginas entramos numa atmosfera sombria, onde a sensação de que alguma coisa não bate certo nos arrepia a cada virar da página. Não é o facto de Anna Fox sofrer de agorafobia, não saindo de casa há dez meses. Nem tão pouco a rotina de vaguear pelos quartos do seu apartamento. É antes não sabermos o que desencadeou esta patologia. É o facto de sendo ela psicóloga infantil, automedicar-se; pior do que isso, só mesmo misturar os medicamentos com álcool, todos os dias. E as conversas que ela tem com o marido e com a filha, que parecem memórias perdidas.

Num thriller psicológico intenso, esta sensação continua sempre num crescendo, até que Anna testemunha, através de uma janela, algo que ninguém deveria ter visto. Mas às páginas tantas, à medida que vamos excluindo as hipóteses sobre o passado de Anna e sobre o que realmente poderá ou não ter acontecido, a ação tende a arrastar-se demasiado. Porque sabemos que não foi fruto da imaginação de Anna. Nem tão pouco foram alucinações provocadas pelos cocktails de antidepressivos com álcool. Alguma coisa aconteceu. Só queremos voltar àquele dia e perceber tudo o que desencadeou aquilo. Sem deixar de parte o autor. E as suas motivações.

Book | A Mulher à Janela

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