a thousand books

Review | A Maldição

A Maldição.JPG

Ainda o relógio não batia as 07:30, já este livro estava terminado. Uma experiência literária que nos faz correr contra o tempo, à medida que a narrativa se adensa e intensifica. Onde as pistas nos levam em direções opostas e os testemunhos nos revelam a falta de motivos para um homicídio. E na verdade, nem para um suicídio. Os nervos estão à flor de pele, é preciso evitar mais uma cena trágica antes do pano voltar a subir. Às páginas tantas, estamos tão envolvidos nesta narrativa imersiva que o nó na garganta é real. E o último parágrafo é angustiante. Ou não fosse a forte ligação que criámos com os personagens.

Um argumento sem falhas. Com uma sequência de acontecimentos sucessivos, lógicos e de rápido desenvolvimento. Uma vez mais, fazemos parte da equipa de investigação do inspetor Bruno Saraiva, sem nos apercebermos. E aquela que parecia ser apenas mais uma peça a estrear no Teatro da Passagem, revelou-se uma encruzilhada de contracenas.

A estreia da Pedra do Pecado revelou-se fatídica em 1977 e em 1982, com a morte da atriz principal. Quarenta anos depois, o Teatro da Passagem decide encenar, novamente, esta peça. Seja uma infeliz coincidência ou uma peça amaldiçoada, os atores estão num elevado clima de tensão e nervosismo, prontos para entrar em palco. O pano sobe e a peça começa. O som dos aplausos é inaudível. Um dos atores morreu. A partir daqui, há uma escalada de fortes emoções, mesmo até à última página.

Book | A Maldição

0