
À espera do seu momento e em estante desde o natal de dois mil e vinte e dois, eis que este thiller psicológico se revelou uma surpresa bastante agradável. Ou foi este o momento certo para ser lido, não sei. A verdade é que o devorei, de tão intenso que foi. Com um argumento ainda não explorado e uma atmosfera sombria, acabou por se tornar viciante. Muito viciante.
A forma como se explorou o quão destorcida pode ser a mente humana, colocando em causa coisas banais, como a segurança do dia a dia que damos sempre por garantida, tornou esta experiência literária chocante e arrepiante na mesma medida. Num crescendo de intensidade, sob um escrutínio de escolhas morais impossíveis aos olhos de muitos e ações terríveis aos olhos de outros, foi erigida uma corrente que não olha a meios para atingir os fins egoístas. Acorrentados à cobardia, quanto mais comprida se tornar a corrente, melhor. Atingido o clímax, só uma mãe desesperada, determinada e uma verdadeira sobrevivente poderá quebrar o padrão. Se o consegue ou não, terão que descobrir. Porque vale mesmo a pena.
Book | A Corrente