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Review | A Caverna


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Não foi fácil acompanhar a vida de Cipriano Algor, a sua rotina de trabalho-casa-trabalho e as dúvidas existenciais que assombraram todos os momentos em que parou por meros segundos. Porque apesar da urgente e necessária reflexão sobre os impactos negativos da modernização nas economias tradicionais e locais, faltou ação, movimento, bengalas que nos despertassem o interesse ao longo de toda a história. E isso só acontece, quando estamos prestes a terminar o livro.

Uma pequena olaria, um mundo em rápido processo de extinção. Um centro comercial gigantesco, erguido sob uma realidade de felicidade ilusória, que se multiplica, todos os dias. Acabámos de conhecer duas realidades distintas e contrastantes. Entre as linhas descritivas de uma e outra, perdemo-nos nas reflexões sobre um modo de vida que afeta negativamente a mentalidade humana, com efeitos assustadoramente tristes. O dia-a-dia é preenchido pela extinção de espécies animais na mesma medida que se extinguem profissões que outrora foram úteis. A rotina familiar vai-se tornando fria e distante. E as tradições perdem-se, nas rajadas de vento artificiais. As pessoas deixam de pensar e sentir. Que mundo triste.

Book | A Caverna

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