Munidos de camisolas e meias térmicas, calças de malha e casacos polares, rumámos para uma viagem até à Serra da Estrela que surpreendeu a mãe. Ou não fosse esta a prenda de aniversário que esteve no segredo dos deuses desde o final do ano passado. E foi tudo tão bom, que houve até momentos em que nos esquecemos do frio que se fazia sentir. Quer dizer, mais ou menos. Porque quando os termómetros assinalam 1ºC não temos como controlar o psicológico.


Gouveia foi a cidade que nos acolheu e que bom que foi. E a partir daqui foi sempre a subir, em curva e contra-curva, até à Torre envolta num nevoeiro que me congelou as pontas dos cabelos loiros e deixou a ponta do nariz ainda mais sensível. Ainda havia neve que veio mesmo aterrar em cima de mim, porque a senhora minha mãe queria brincar na neve. Mas claro que não me deixei ficar!








E como quem sobe também tem que descer, lá fomos nós contemplar uma das vistas mais incríveis, no Miradouro da Lagoa Comprida, com uma imagem da imensidão da natureza que é indescritível. O Covão dos Conchos esperava por nós, mas aqui vos confesso, no inverno não há efeito magnífico, tendo em conta o excesso de água. Vale sempre a pena a caminha de 1 hora, por entre pedras, pedrinhas e calhaus, mas voltaremos no verão. Um pequeno sacrifício, claro!




Loriga também estava no roteiro. Há muito que queríamos conhecer aquela que é considerada uma das praias fluviais mais bonitas do país. É muito bonita, mesmo no inverno. Mas só de pensar mergulhar ali, mesmo debaixo de sol escaldante, gela-se os ossos! E, por isso, rumámos ao último destino antes do jantar de aniversário, o Poço da Broca da Barriosa; com o caminho até lá a fazer-me regressar à ilha. E a cascata que encontrámos superou todas as expectativas que tinha. A imponência daquela queda de água é extraordinária!


E mesmo a terminar esta viagem mais curta, há que vos falar da Lenda do Viriato, em Unhais da Serra. Um dos melhores restaurantes onde já estive. É uma experiência gastronómica que vale cada segundo e cada cêntimo. Com uma carta que assenta em carne de caça, é tudo pensado ao pormenor. Estava tudo di-vi-nal! Um tornedó em cama de cogumelos selvagens e farinheira que me deixam com água na boca só de recordar; e o javali estufado com castanhas que estava tão bom. Quero voltar muito rápido, é um facto.


A última paragem foi no Museu Pão que ficou aquém das expectativas. Porque é uma experiência mais voltada para as crianças, mas cara para o que oferece. Valeu o pão que comprámos na mercearia do próprio museu que é todo muito bom.
E já só falamos no regresso que queremos muito começar a planear!